Quem saberá compreender os dias distantes? Faz frio novamente, romãs no quintal e precisamos aprender a dizer não. Minha capa de Superman tá mofando no armário. Tenho, entretanto, pousado na estante um souvenir, quase fetiche. Como não te amar, cabeção?
Viver à grande
O grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências. (F. Pessoa)
02 Maio, 2006
07 Dezembro, 2005
básico instinto
marginalidade alucinada e recalcada e fugitiva e amor distorcido, ambição desmedida se espelhando nos olhos destes dois náufragos existenciais. 02h:17m. Chacininha beija Valdemir sem a menor dúvida e ele diz pra ela com olhos rútilos de convicção esotérica, lixo esotérico: "Acabou tua solidão, mulata loura. Não tinha emprego, ou amor que resolvesse, cobrisse a ausência de sentido da tua vida. As recepções do nada que a antena do teu coração recebia". E ela disse: "Acabou tua solidão, cangaceiro de plutão, meu nome é Gorette, sou modelo manequim dos campos de desova e concursos de terceira".
Fausto Fawcett
16 Agosto, 2005
será que é tudo isso em vão?
nos perderemos entre monstros
da nossa própria criação
serão noites inteiras
talvez por medo da escuridão
ficaremos acordados
imaginando alguma solução
prá que esse nosso egoísmo
não destrua nosso coração
brigar p'rá que
se é sem querer
quem é que vai
nos proteger?
será que vamos ter
que responder
pelos erros a mais
eu e você?
dado villa-lobos, renato russo, marcelo bonfá
14 Agosto, 2005
daniel na cova dos leões
| Daniel Na Cova Dos LeõEs | ||
| Aquele gosto amargo do teu corpo Ficou na minha boca por mais tempo: De amargo então o salgado ficou doce, Assim que o teu cheiro forte e lento Fez casa nos meus braços e ainda leve E forte e cego e tenso fez saber Que ainda era muito e muito pouco Faço nosso o teu segredo mais sincero E desafio o instinto dissonante A insegurança não me ataca quando erro E o teu momento passa a ser o meu instante E o teu medo de ter medo de ter medo Não faz da minha força confusão Teu corpo é meu espelho e em ti navego E eu sei que a tua correnteza não tem direção Mas tão certo quanto o erro de ser barco a motor E insistir em usar os remos, É o mal que a água faz, quando se afoga E o salva-vidas não está lá porque não vemos Renato Russo | ||
12 Agosto, 2005
i just called to say i love you
não é natal
nem ano bom
nenhum sinal no céu
nenhum armagedom
nenhuma data especial
nenhum e.t. brincando aqui no meu quintal
nada de mal
nada de mais
ninguém comigo além da solidão
nem mesmo um verso original
pra te dizer e começar uma canção
só chamei porque te amo
só pra dizer como é grande a paixão
só chamei porque te amo
lá bem no fundo do meu coração
nem carnaval
nem são joão
nem bailão no céu
nem luar no sertão
nenhuma foto no jornal
nenhuma nota na coluna social
nenhuma múmia se mexeu
nenhum milagre na ciência aconteceu
nenhum motivo nem razão
quando a saudade vem não tem explicação.
só chamei porque te amo. gilberto gil.
06 Agosto, 2005
soubesse
soubesse que era assim
não tinha nascido
e nunca teria sabido
ninguém nasce sabendo
até que eu sou meio esquecido
mas disso eu sempre me lembro
paulo leminski



